Que no entender do Fred Josias o show do Team de Sonho e Geração de Ouro tenha “roxado” de modos que não se sinta obrigado a deixar de apresentar o seu programa na televisão como assim prometeu.

Não concordando com os métodos usados pelo Fred na tentativa de passar a sua visão de valorização da música moçambicana, por outro lado, numa reflexão profunda vestindo a sua bandeira sem que por trás deste nacionalismo declarado haja na verdade interesses de negócios, o Rei dos Bifes tem uma certa razão. 

Quero deixar claro que o Fred Josias é importante para o valorização da cultura moçambicana e para o seu entretenimento, na minha opinião ele faz de forma errada o que acredita ser certo, mas no fundo a ideia de lutar pela valorização da cultura nacional é legítima. 

Em Angola vivemos uma situação similar quando a música cabo-verdiana era dona das pistas de dança e a mais tocada nas rádios do país, ultrapassamos isso e a solução NÃO FOI BOICOTAR, (cá entre nós quem boicota o que gosta?) é aí onde o Fred Josias errou. A liberdade que todos têm, faz com que sejam fiéis aos seus gostos e nisso não se impede alguém de ir a um show de musicas que gosta.

Fred, a música moçambicana é muito boa, é sobretudo MANING MOZ, tem tempero local dando um sabor único, o gosto moçambicano.

Nesta perspectiva, (aqui apelo a sensibilidade de todos para não perceberem de forma pejorativa) qualquer música seja de Angola ou Moçambique pode não ter o êxito esperado em alguns países devido as diferenças culturais de ritmos e sonoridade musical, por exemplo, a música de Angola não conseguiu o mesmo espaço no Brasil que tem em Portugal, porém a música brasileira vive em Angola, Portugal e Moçambique, e não há porquê obrigar os brasileiros a se identificarem com as nossas músicas como moeda de troca ao facto de consumirmos e irmos aos shows de seus artistas.

Os artistas angolanos adaptam-se com certa facilidade as novas tendências para continuarem a fazer sucesso, ninguém boicotou o afro house sul africano, aprenderam como se faz e começaram a produzir e cantar afro house e quando não estão a ser chamados para espetáculos fora do país, criam parcerias e investem em show neste local, esta tem sido a formula que dá resultados até hoje.

Se isso pode dar certo em Moçambique, não sei, mas a experiência diz que para parecer justa que a quantidade de artistas angolanos que sobem em palcos moçambicanos seja equivalente aos cantores de Moçambique em Angola, é necessário outra estratégia, investimento, promoção e sonoridade que conquistem o público que consome e determina o que é sucesso.

Moçambique, não deixem o Fred Josias sair da televisão, pelo contrário, apoiem-no com políticas de intercâmbio e reciprocidade equilibradas. 

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