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AZAGAIA | saúda 3 de Fevereiro com novas verdades da mentira

Noticias de 30 de Julho de 2011, informavam que o Mano Azagaia foi detido pela Polícia de Investigação Criminal (PIC)  por “posse” de umas poucas gramas de soruma – droga cientificamente identificada como cannabis sativa, cuja posse e consumo é considerado ilegal no país.
A noticia foi reproduzida por inúmeros órgãos de informação sem mesmo apurar os factos, e poucas vezes Azagaia pronunciou-se acerca do episódio, durante meses o rapper foi vitima de piadas, sobretudo pela quantidade ínfima em gramas da tal droga.  
Segundo o blog Fobloga, naquela noite Azagaia iria apresentar ao público de Maputo o seu mais recente trabalho, sobre a propalada “geração da viragem” que, segundo o músico, é geração jovem que “representava e representa o centro do tabuleiro deste jogo político que será ganho por quem souber ocupá-lo e explorá-lo“.
Mas há  uma versão bastante diferente daquilo que fora divulgado, é está verdade da mentira que Azagaia nos trás a sua maneira e em forma de música, saudando assim o 3 de Fevereiro, dia dos Herois Moçambicanos.

AZAGAIA DESCREVE DISCO DE MC K

Proibido ler isto
Agora que começaste vai até ao fim… disse para mim mesmo depois de apertar o play e deixar o novo CD do McK rolar. De certeza que não sou o único que gosta do proibido, eu e toda a raça humana somos assim. Proibir é acender uma chama no frio, ela queima mas aquece. Ainda bem que logo na primeira faixa do disco o K tranquiliza-nos quando diz que se trata de Fogo Amigo. E é disso mesmo que se trata, McK, por trás da Trincheira de Ideias que já nos habituou, abre fogo em nome da justiça, paz e liberdade e diz que está de volta na caminho de luta depois de 5 Anos de Ausência.
O álbum começa muito bem para quem esperou 5 anos por ele. Com uma sessão rimada de explicações e esclarecimentos, afinal meia década de ausência é suficiente para alimentar boatos, rumores, e mal entendidos, McK leva-nos aos assuntos proibidos de Angola, de África e do mundo, mostrando-nos que embora afastado, esteve sempre atento. Acredito que foi com essa atenção que ele percebeu o que há Por Detrás do Pano num som profundo e arrepiante com a ajuda das vozes vibrantes de Beto de Almeida e Ângela Ferrão, na faixa 3. A mim pareceu-me um recado para uma Angola emergente onde por mais que a vida brilhe como diamantes para alguns e como lágrimas para muitos, no fundo todos os angolanos são iguais e sensíveis às fatalidades da vida, daí a necessidade da união para além dos bens materiais, bens esses que, segundo o K, são também o fundamento da Teologia da Prosperidade que multiplica falsos profetas na terra das Palancas. Já agora, também aqui no país da Marrabenta. E falando em país, na quinta faixa percebemos com quantos Nomes, Rimas e Palavras se fazem os podres dum país. Tudo isso por cima dum beat ácido de Sam The Kid que, curiosamente, foi produzido na noite de natal de 2009 na casa do McK com o MPC do Boni da Diferencial. Eu estava presente na hora e foi o natal mais underda minha vida. Jesus nasceu ao som de beats e rimas.
Nzala é o nome da faixa que McK faz com Paulo Flores, uma música sem flores e cheia de lágrimas. Conta uma daquelas histórias sem final feliz. Daquelas que os africanos bem conhecem e só as contam para que nunca mais se repitam. Nzala, que significa fome, é filha da guerra que não acabou para todos, principalmente para as crianças das ruas de Luanda. E porque não de Maputo?! Mas é, noutro contexto, a tentar mostrar que há espaço para a paz entre o Hip Hop e o Kuduro que o K chama o kudurista Bruno M para largar dos versos mais lúcidos do disco no tema Kamama ou Kuzu, ou seja, morte ou cadeia, se bem traduzo, as únicas alternativas para quem vive no crime. No crime, ou à volta dele, estão também prostitutas disfarçadas de funcionárias bancárias, traficantes de droga disfarçados de empresários, maridos cornudos disfarçados de gigolos e todos eles a viverem um racismo disfarçado Na Fila Do Banco, na faixa 8. Uma mistura de temas proibidos que vale a pena experimentar. McK, DaBullz e Agente Supremo, na faixa seguinte, mostram o orgulho de fazermos parte dum Circuito Fechado onde as luzes da mídia não seduzem a ninguém. O K continua e pede paz no prato no País do Pai Banana, coisa que, segundo o mc, é difícil num país onde todos os cachos são controlados por 3 famílias. Continuando com as ironias, chega a vez do Ikonoklasta juntar-se à sessão de proibição e dizer que A Bala Dói, principalmente quando oferecida em vez da comida prometida. Quase ninguém escapou das balas destes dois mcs angolanos. Quem também não escapou às balas foi o próprio McK no tema Quarentona Atraente, afinal quem mata também morre. Um estória interessante sobre como pode ser o fim dum rebelde revolucionário que porque também tem sangue nas veias, foi alvo fácil duma espiã sedutora. Sinceramente, devia ser proibido esse tipo de armas!
O disco acaba com o K no céu ao lado do Cheroke e outros combatentes vítimas deste mundo onde não há espaço para santos, no tema Tou na Fronteira. Ele bem que avisou que o álbum começava num Domingo e acabava num Sábado. Mas como parece que até no céu o K não pararia de escrever, ainda surgem duas faixas bónus, a Vida no Avesso e uma justa homenagem ao país deste mc no tema Eu sou Angola. Outra justa e merecida homenagem deve, sem dúvidas, ser feita ao produtor Boni da Diferecial, ele que foi quase que inteiramente responsável pela banda sonora deste álbum que se continuar proibido de se ouvir, será mais consumido que filmes porno. Bem, eu avisei que era proibido ler isto. Óptima escuta!  
Mano Azagaia
9 de Janeiro de 2012

AZAGAIA @ MAFALALA LIBRE

Vem ao Mafalala Libre, dia 6 de Maio, Quinta-feira, 21H00,

CELEBRAR COM AZAGAIA,

os seus 20 e … anos de vida.

Com direito à fatias de bolo, com os seguintes ingredientes:,

Mistura de Azagaia com:

1-Miguel Xabindza (Guitarra e voz)

2-Muzila (Saxofone)

3-Alcídes (Mbira)

4-Ras Haitrm (Voz reggae)

5-Isabel Novela (voz)

6-Ash Ismael (bateria e programação electrónica)

E mais surpresas no creme do bolo.

Projecção da curta metragem Malha, para a digestão.

Entrada: 150 MT

Saída: Mahala

IMPRENSA EM GUERRA COM AZAGAIA

Esclarecimento necessário

Ao noticiar o clima de tensão que foi a performance de Azagaia no show de Kid MC, o jornal privado moçambicano ” O público”, exagerou fazendo destaque em capa de jornal com o título “Azagaia escapa assassinato” uma situação que deixou os fãs e os “cotonetes” bem preocupados. Não se tendo verificado nenhum atentado a sua pessoa, Azagaia disse-nos que sente a necessidade esclarecer ao povo angolano sobretudo, que sentiu-se bem recebido e em momento algum sentiu-se intimidado. Quanto ao jornal privado, Azagaia em entrevista ao programa “Atrações” da Tv Miramar, mandou um “manguito” (um faki you gestual) para toda equipa do jornal e isso deixou a redacção do “O público” bem mais irritado e agora investigam a fundo sobre sequelas do show de Kid Mc, foram publicados artigos como “Azagaia proibido de entrar em Angola”, e muito outras, fomos investigar algumas das afirmações que o jornal fez, e ainda estamos a procura de informações, infelizmente o jornal não mentiu, houve sim uma chamada de atenção quanto a natureza de show sobre a realização ou suporte da Sank Eventos, mas NÃO CONFIRMAMOS que Azagaia esteja proibido de entrar em Angola, os últimos acontecimentos políticos e desportivos roubaram a maior atenção e preocupação do governo angolano ao ponto de não terem dado importância a isso, mais continuamos a investigar já que não há fumaça sem fogo.

Mas é isso aqui, AZAGAIA quer tranquilizar os fás dizendo que sentiu-se bem em Angola e confessou-ao ao Kratos (luso hip hop) e ao CFK que tem muitas saudades da banda.

AZAGAIA E DJ BOMBER JACK JA EM LUANDA

O tão anunciado show de KID MC tem tudo para correr bem e de certeza que é uma boa prenda que a Madtapes oferece aos simpatizantes do hip hop. As fotos falam por si, MANO AZAGAIA JÁ ESTÁ NA CASA, DJ BOMBER JACK TAMBÉM, por isso não percam DIA 27 SHOW DE KID MC com Mano Azagaia e San the Kid como os convidados especiais, ainda Eva, Phathar Mak e MCK.

QUEREMOS AZAGAIA EM ANGOLA

Muitos manos ligados ao mundo do hip hop receberam por e-mail um abaixo assinado onde os simpatizantes da música do rapper moçambicano Azagaia, solicitam a quem possa, investir num concerto de mesmo em Angola.

Com o intuito de dar maior divulgação a este apelo, e representando todos os que no e-mail abaixo assinaram, estamos a solicitar a quem possa, investir num concerto de Azagaia em Luanda. LS Produções, Republicano, Casablanca, Olavinho produções, empresários do ramo, anonimos com capital, Blogs, sites e etc.
Quem tiver possibilidades de apoiar, para alem de estar a dar um insentivo cultural ao hip hop angolano, estará a divulgar o seu nome num amplo mercado que é a comunidade hip hop lusofona e consumidores da musica RAP.
Não conheces azagaia Clique aqui e aqui tambem, ou vai ao google e escreva Azagaia, em minutos saberás porque estamos a fazer este apelo.

Musicas de Azagaia para download
Obrigado de novo pai natal – DOWNLOAD
Combatentes da fortuna – DOWNLOAD

Trio FAM rende continência a Azagaia

Os ouvintes da rádio 99FM (Moçambique) elegeram a música “continência” do grupo de rap Trio Fam, (track records) como a melhor música e melhor hip hop do ano. Entre as categorias participaram, Stewart Sukuma, Mc Roger, Dama do Bling, Lizha James, Ta basily, Dj Ardiles, Azagaia, Dj Damost e Mr. Dino, Didacia, Mc Roger, Oliver Style e Zico
Segundo noticiou o blog da cotonete, logo depois deste trio formado por Kaus, Kloro e Cinzel e os seus companheiros de label (Nelson, D-lon, Dj Beat Keepa e Sagaz) terem corrido, euforicamente, ao palco para receber o cheque de 15 mil Meticais e a estatueta referentes ao prémio de “Melhor Musica”, os manos voltaram a ser chamados, minutos depois, para receber mais um cheque de 10. mil Meticiais e uma estatueta como símbolo do prémio de “Melhor Hip Hop”, foi uma verdadeira festa Kloro confessou-nos que para a categoria de melhor hip hop tremiam diante de Azagaia, não tinham esperança de levar este prémio a casa, uma vez que o álbum babalaze de Azagaia foi e até agora é o maior sucesso, mas quanto menos esperavam o prémio novamente foi para a Track Records. Num gesto lindo e surpreendente de reconhecimento, TRIO FAM (e a Track Records) na voz do mano Kloro dedicou o prémio de “Melhor Hip Hop” e ofereceu o respectivo cheque ao companheiro do game, AZAGAIA, do colectivo Cotonete Records.
Realmente, tratou-se de um gesto ímpar no seio do Hip Hop Moçambicano, um gesto de louvar e aplaudir, um gesto em prol da unidade no Hip Hop moçambicano.
Esta é, sem dúvida, uma vitoria da TRIO FAM, uma vitória da TRACK RECORDS, mas acima de tudo, uma vitória do Hip Hop Moz.
Naturalmente alguns angolanos não conhecem a música “continência” da Trio Fam, aconselho a estes a lerem a historia do hip hop moz aqui publicada neste blog (arquivos), para percebem porque esta track tem remix e um TRIMIX

DOWNLOAD…………………………………..
CONTINÊNCIA – ORIGINAL DOWNLOAD
CONTINÊNCIA – REMIX DOWNLOAD
CONTINÊNCIA – TRIMIX DOWNLOAD

MC K e Azagaia – participam no festival Mestiço em Portugal

De 26 à 29 de Junho, a Casa da Música, na cidade de Porto (Portugal), recebe o FESTIVAL MESTIÇO de 2008, de acordo com o programa, esta actividade traz a oportunidade para ouvir alguns dos grandes fenómenos da World Music da actualidade, incluindo as sempre inovadoras mestiçagens entre as tradições musicais e as tendências mais recentes de géneros como o Hip Hop, a Electrónica ou o Rock. De 26 a 29 de Junho, está convidado a visitar geografias e géneros musicais eclécticos e contagiantes.

O programa faz menção que MC K e Azagaia deverão actuar no dia 27 do mês corrente, sexta-feira, dia dedicado ao Hip Hop, e o evento vai acontecer na Praça, as 22Hrs. Uma prestigiada selecção de artistas dividem o palco com os nossos manos, entres eles Marcelo D2, Manif3stos e Dany Silva.

Veja abaixo o perfil dos artistas programados para esta noite (27 de Junho).

MARCELO D2 (Brasil)Nesta noite destaca-se o carioca Marcelo D2, rapper que se celebrizou com a sua banda Planet Hemp, nos anos 90. O álbum Eu Tiro é Onda marcou o início da sua carreira a solo, há dez anos e desde logo contou com a participação de nomes de peso do rap de São Paulo e do Rio de Janeiro, como Black Alien & Speed e BNegão. A mistura de elementos do samba com Hip Hop é a sua imagem de marca, apurada no terceiro álbum, Meu Samba é Assim, com a participação especial de grandes nomes do samba – como Zeca Pagodinho e Alcione – e do rap – como Marechal e Aori.

MC K (Angola) Começou com demonstrações para pequenos grupos alternativos, mas rapidamente foi descoberto pela imprensa internacional. Ao segundo álbum de originais, o rapper angolano aceitou o desafio de trazer a sua mensagem ao Porto, a convite da Casa da Música. Politicamente crítico, aos 26 anos, MC K pretende ajudar a construir um país onde a liberdade de expressão seja uma realidade acessível a todos.

MANIF3STOS + DANY SILVA (Cabo Verde / Portugal )Deixaram-se seduzir pelo drum’n’bass, o soul, a electrónica e no álbum de estreia que vêm apresentar à Casa da Música, Gerasons, os Manif3stos debatem as múltiplas realidades sociais, culturais, tecnológicas e económicas em que vivemos. Um disco que conta com a participação especial de Sagas, Tranquilo, DJ Kwan, Conflito e Dany Silva, músico, cantor e compositor cabo-verdiano que já colaborou com Rui Veloso, Mariza ou Tito Paris.

AZAGAIA (Moçambique )Despertou a atenção de Moçambique e do mundo pela sua crueza e revolta. O jovem universitário Azagaia (aka Edson da Luz), de 23 anos, aborda uma série de temas da actualidade moçambicana, desde o assassinato do jornalista Carlos Cardoso, à corrupção e até aos esquadrões da morte no seio da polícia. Recentemente editado em Portugal, Babalaze dá a conhecer o músico que já fez parcerias com Valete e que se identifica com Boss AC e Sam The Kid.Para mais informações descarregue aqui todo o programa do festival ou visite http://www.casadamusica.com/

As mentiras e as verdades de Azagaia

Certo dia o Joe disse-me “nunca mas escreveste sobre a Cotonete”, e respondi-lhe estou a pensar em entrevistar o Azagaia, “do que esperas pah?…” perguntou-me o amigo responsável pela Cotonete Records. cheguei a casa e resolvi ouvir o disco Babalaze do Azagaia, e admirado com tanto talento e tudo de bom que ouvi no cd, as 00:00 de Domingo, resolvi enviar ao Azagaia esta sms: Mano Azagaia estou a preparar uma entrevista pra ti, mas preciso alguns dados… podes me “e-mailar” ou marcamos um encontro na net? E assim combinamos para as 22 horas. Fui lançando já umas bocas sobre a entrevista na net e na rádio Luanda (big show cidade) enquanto esperava pela hora combinada e as 22h03 minutos, uma sms deixou-me preocupado: “Tó um pouco atrasado mas já to p chegar a casa” era o Azagaia comunicando o atraso. E quando eram 22h51 finalmente começamos a entrevista que resultou no trabalho abaixo:
Azagaia é o pseudónimo artístico do rapper moçambicano Edson da Luz, um jovem universitário, que ganhou popularidade internacional com a polémica em torno da música de sua autoria “as mentiras da verdade”, onde em sua analise faz uma denúncia sobre as mentiras tidas como verdade no seu pais.
O álbum saiu e tem como título Babalaze, lembrando assim o poeta José Craveirinha na obra “Babalaze das Hienas”. Um disco bom de se ouvir e que nos convida a fazer uma reflexão sobre tudo o que nós temos aprendido cá em África, vários dúvidas acabam ficando no ar e acabamo-nos perguntando será verdade tudo em relação a nossa história? Essas e muitas outras perguntas poderás fazer depois de ler a entrevista e ouvir o disco Babalaze.

Texto e fotos: Dino Cross

DINO CROSS – Como foi que começou a cantar? E porquê o nome Azagaia?
Azagaia:
Comecei a cantar por influência de amigos, na brincadeira, estava na oitava classe acho e tinha um pequeno grupo chamado RapKids (hehe), era só rimar, mas eu já lia poesia de José Craveirinha e escrevia os meus poemas também..
bem depois de alguns anos na brincadeira, quando cheguei ao ensino pré-universitário, conheci um amigo que veria a tornar-se no Escudo do nosso grupo Dinastia Bantu, aí é que as coisas tornaram-se mais sérias em 1999 Quanto ao nome… Azagaia Surge porque nós (meu grupo) queriamos uma identidade mais africana do nosso rap, inspirávamo-nos nos Wu Tang Clan naquela altura e queriamos fazer uma Clan mas não inspirada na cultura chinesa como a Wu, mas sim na África nossa terra aí surge a Dinastia (tipo a clan hehe) Bantu, azagaia sendo um instrumento de guerra dos povos bantu, achei que tinha tudo a ver comigo pois espelhava a minha postura combativa no hip hop, e o Escudo vinha completar na defesa, uma dupla perfeita.

DC: Sobre as verdades, que verdades o seu povo desconhece?
Azagaia:
A começar pela nossa história, ela foi escritas pelos vencedores, os que sobreviveram, os protagonistas da propria história é que a escreveram, daí muita coisa foi manipulada a favor destes.
A seguir, temos o nosso dia a dia que é marcado por uma governação não transparente, onde muitos governantes enriquecem no poder de forma não clara acompanhada de vários escandalos e suspeitas fortes de corrupção, depois, as grandes decisões muitas vezes do nosso governo relacionadas conosco povo, são tomadas sem nos consultarem, daí a revolta

DC: Sobre as mentiras, que mentiras te referes?
AZAGAIA:
As mentiras são as aparências, o falso desejo dos muito ricos querem combater a pobreza no seio dos tão pobres, pobreza que eles não sentem portanto desconhecem, mentiras são os acordos que parecem benificiar o povo mas que na realidade beneficiam uma minoria, mentira é essa ilusão de sucesso dos africanos que consiste em pensarmos que desenvolvermos é termos um carro de luxo, joias e mulheres mesmo que estejamos a vender o nosso país e continuamos na realidade pobres.

DC: A tua frontalidade ao cantar é fruto de um exercício efectivo de democracia? Até que ponto respeita-se a liberdade de expressão em Moçambique?
AZAGAIA:
é efectivamente democrático que todos tenham direito a palavra. A frontalidade é do que precisamos, atacar os problemas de frente, sem subterfúgios a liberdade de expressão em Moçambique só existe até começar a por em causa os interesses do poder, o grupo de mais ou menos 15 pessoas que governa os restantes 20 milhões, prova disso é a morte do jornalista Carlos Cardoso e o bancário Siba Siba, e o facto de estarem a proibir a passagem da minha música “Povo no Poder” na Rádio Moçambique como já tinham feito com as “Mentiras da Verdade”

DC: Já teve medo de alguma situação resultado da repercussão da sua música?
AZAGAIA: Não
DC:
E ameaças já teve?
AZAGAIA: Algumas mensagens cobardes deixadas no blog da cotonete, o que recebo mais são sugestões para fazer músicas mais leves

DC: Que Moçambique sonhas para os moçambicanos?
AZAGAIA:
Um Moçambique onde os moçambicanos não sintam medo nem receio de contribuirem com as suas opinões sob pena de perderem seus empregos ou regalias ou mesmo a sua vida ou dos seus, onde os moçambicanos possam contestar uma situação que lhes prejudique sem correrem o risco de serem violentados pela policia, um moçambique onde a justiça funcione para todos e não haja “intocáveis” à cima da lei contra os quais não vale a pena fazer nenhuma acusão pois nunca serão condenados, um moçambique onde os moçambicanos conheçam a sua verdadeira história um moçambique onde as crianças tenham cada vez mais oportunidades de educação, uma educação que lhes permita ter espaço de criar e escolherem as suas verdadeiras vocações um moçambique onde os jovens não tenham, que se aliar a nenhum partido político para conseguir um emprego ou posição confortável na sociedade um Moçambique com uma governção transparente e verdadeiramente democrática.

DC: Que argumentos justifica-se a proibição da música “povo no poder” na rádio Moçambique?
AZAGAIA:
Esta proibição parece não ter argumentos claros, pelo facto de ela não ser oficial, é uma ordem interna a ser cumprida e não questionada, dizem que a música insulta o presidente da república (hehe), os trabalhadores dizem que não querem problemas, receberam ordens superiores para não tocá-la (*)

DC: Babalaze quer dizer ressaca, o que o motivou a dar este título ao teu álbum?
AZAGAIA:
A gravação deste álbum aconteceu num momento de reflexão na minha vida sobre tudo que já tinha vivido até esse ponto, era um momento de ressaca sim e queria partilhar isso com as pessoas que de certeza partilham das mesmas opiniões e chamar os que não concordam comigo à reflexão também.

DC: Fala-me da experiência que foi a participação do Valete no teu álbum?
AZAGAIA:
Foi fenomenal, é sempre um prazer para um artista partilhar ideias com outro que admira, em termos de liricismo a música “Alternativos” levou o cd para outro nível, esta música é um exemplo de união de irmãos de África, e o tema não poderia ser melhor, uma afirmação de nós mesmos, enfim um exemplo a seguir nos PALOPS acredito.

DC: Em relação ao sucesso do teu álbum em Moçambique, estas satisfeito?
AZAGAIA:
Tou sim, é mais do que esperava confesso, ele foi feito num estúdio de qualidade básica, e está a ser ouvido em todo país, o que chateia é o facto de não conseguirmos fazer cds para todos.

DC: Sobre a Cotonete Records como é trabalhar nesta label?
AZAGAIA:
É uma segunda família para mim, ela me acolheu e acreditou em mim e sempre deu-me a liberdade de fazer a música que eu gosto, há muito dinamismo e liberdade de ideias, enfim é fixe

DC: Esta conversa de que o hip hop moçambicano morreu para o pandza(**) o que tens a dizer?
AZAGAIA:
Nada disso. O hip hop sempre teve vivo, o problema é que alguns nomes sonantes do nosso hip hop passaram a fazer pandza por escolha própria e isso criou esse boato, e sendo o pandza uma música mais comercializável tem naturalmente mais espaço, bem os manos do hip hop tiveram uma lição de agressividade no markting também bem acho que há espaço para todos e à cima de tudo o espaço conquista-se, não é dado de bandeja, e isso o pessoal do hip hop esta aprender para poder competir e se afirmar cada vez mais.

DC: Em relação aos mc’s que mudaram para o pandza?
AZAGAIA
: Epa é escolha própria, não os condeno, mas acredito que é sempre melhor quando as pessoas revelam-se e seguem o seu caminho, bom há alguns que talvez nem sabem ao certo o que querem mas o tempo dirá, acho que o pessoal do hip hop não deve dar muita importância a eles e seguir em frente, há muita estrada por caminhar

DC: Tens uma ideia de como estas popular fora de Moçambique?
AZAGAIA:
Uma vaga ideia, algumas pessoas dizem que a minha musica é muito escutada nalguns países da europa, tipo ai em Angola e mais, bem são relatos e eu não sei até que ponto são verdadeiros, mas acredito que há quem curte, não há fumaça sem fogo (hehe).

DC: Que ambições tens para Angola?
AZAGAIA:
Gostaria muito de fazer um show aí, sinto que temos realidades semelhantes e temos muito que partilhar, definitivamente quero conhecer Angola e os rappers daí. E quero que o meu cd seja vendido aí.

DC: Que opinião tens sobre o hip hop angolano? e que mensagem deixas para o povo de Angola e de Moçambique?
AZAGAIA:
Começar por dizer que a música angolana tem muita qualidade, e sobre o hip hop não sei muito, mas o que chega aqui é o mais comercial tipo para se curtir nas festas e tal, algum hip hop mais de consciencialização também chega mas muito pouco, acho que só conheço o MC K. Mas acredito que há muitos outros que talvez não tenham tanto espaço. E as meninas aqui curtem maningue o balanço da música dos Kalibrados e Army Squad (hehe) para Angola e Moçambique acho que deviam fortalecer os laços de irmandade, precisa haver mais intercâmbio de culturas e estratégias de governação, os artistas precisam encontrar-se mais e discutirem ideias, somos povos irmãos e vivemos os mesmos dilemas e partilhamos da mesma herança histórica, a luta pela liberdade, a luta contra a falsa democracia e falta de transparência penso que é igual sem colocar em causa a soberania de cada povo, devemos nos unir e lutar por uma África melhor.

(*)http://aminhavozz.blogspot.com/2008/02/cano-que-no-pode-ser-tocada-na-rdio.html
(**) Pandza é um novo estilo musical em Moçambique, bastante animado como é o Kuduro, e dança-se assemelhando o ragga.